29 de out. de 2009

A conversa (a)fiada de Paulo Henrique Amorim [notícias]


As 500 cadeiras do auditório do Instituto de Ensino Superior de Brasília (Iesb) não são suficientes para atender à demanda de alunos e civis. Inúmeros assentos são roubados de salas vizinhas. O chão vira assento e a parede, um belo encosto. A razão do interesse é a presença do polêmico jornalista Paulo Henrique Amorim, na estreia do ciclo de palestras “O poder da blogosfera e o jornalismo do século 21”.

Amorim tem conhecimento de causa. Seu blog, “Conversa Afiada”, recheado de denúncias e bastidores políticos, é um dos mais acessados do gênero. O próprio jornalista faz questão de ressaltar que seu êxito no formato é tamanho que botou “a Veja pra correr”. “Minha audiência hoje é maior que a do site da revista Veja”.

Dono de uma voz e entonação inconfundíveis, após breve saudação e homenagem a Mino Carta, fundador e diretor de redação da revista Carta Capital e, segundo Amorim, “o maior jornalista brasileiro em atividade”, o blogueiro abre fogo contra a imprensa brasileira e inúmeros políticos. O tom é sempre debochado, irônico, refinadamente engraçado. Em poucos minutos, repete a sigla PIG inúmeras vezes e diante de um público desinformado sobre seu significado, explica que PIG é redução de Partido da Imprensa Golpista, expressão criada por um membro do Orkut que conquistou o coração inquieto de Amorim e por ele foi popularizada. “A imprensa brasileira é golpista sempre que um presidente tem origem trabalhadora”, ataca. “O PIG esteve contra Getúlio [Vargas], Juscelino [Kubitschek]. O PIG tentou e conseguiu derrubar João Goulart”.

Mas, afinal de contas, quem integra o partido? “Três famílias controlam a opinião pública no Brasil: a família Marinho, a família Frias e a família Mesquita”, donas, respectivamente, da Rede Globo, da Folha de São Paulo e do Estado de São Paulo. “Estamos trabalhando com uma imprensa que mente, que deforma, que frauda”, denuncia. De acordo com ele, é essa imprensa que vem criando uma crise atrás da outra para tentar desestabilizar o governo do presidente Lula. “A imprensa está no centro da crise da democracia brasileira”, vaticina.

Em meio ao discurso agressivo, solta frases e apelidos brilhantes que não deixam escolha ao público a não ser o riso. “Sarney faz política desde D. Pedro II. Quando ele alcançou a maioridade, o Sarney já era o governador do Maranhão”. Alcunhou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de “Farol de Alexandria”. José Serra virou o “Zé Pedágio”: “Ele não pode ver dez metros de asfalto que já quer colocar um pedágio”, ironiza.

Quando entra na questão dos desafios de transformar um blog em um meio economicamente rentável, reclama dos custos e diz que sustenta o Conversa Afiada com o salário que recebe da Rede Record. Chama a atenção para a importância da migração da publicidade para a internet, defende a criação de um pull de blogueiros que disponha de verbas públicas e privadas para financiar a produção de informação. Apesar das dificuldades, assinala os benefícios que a tecnologia trouxe para o jornalismo. “Hoje, você pode fazer uma matéria com um celular. Os equipamentos estão mais baratos, isso reduz muito os custos”, avalia.

Por fim, assume que ainda não há uma forma consolidada de fazer jornalismo online, um pouco como a velha máxima “vivendo e aprendendo”. O importante, segundo Amorim, é que “a democracia não pode ficar sem a informação”.

Por Ariadne Sakkis

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