21 de nov. de 2009

A expansão urbana no DF [notícias]


Prestes a completar 50 anos, Brasília já passa por problemas de cidade grande. Com mais de 2 milhões de habitantes, um projeto de expansão parece inevitável. O nome da vez é Noroeste, que deve abrigar 40 mil moradores em 20 novas quadras. Para o governo é a forma de resolver o grave problema de moradia do DF, que estaria impulsionando o surgimento de condomínios irregulares.
Na promessa de ser o primeiro bairro verde da cidade, no Noroeste será implantado abastecimento por energia solar, reaproveitamento da água da chuva, ciclovias e uma moderna tecnologia de coleta de lixo a vácuo. Segundo a Terracap o lucro obtido com a venda dos lotes será revertido para a urbanização de bairros como Itapõa e Vila Estrutural, mas alguns grupos da sociedade civil não estão satisfeitos.
O metro quadrado de um imóvel na planta está avaliado em 8 mil reais, contra 6 mil no disputado Plano Piloto. O preço, porém, parece não importar. O primeiro imóvel a ser lançado teve 94% das unidades vendidas em três dias. Ecológico ou não, o Noroeste faz sucesso. O tema ganhou atenção na mídia e na comunidade, mas existem outros empreendimentos imobiliários ousados sobre os quais pouco se ouve.
O C.A. do Lago Norte, criado para ser uma área comercial, se expande hoje até o Varjão. Discussões sobre a criação do Setor Catetinho abriram questões sobre o perigo ambiental do crescimento urbano, mas poucos conhecem o futuro Setor Jóquei Clube, localizado entre a EPTG e a Estrutural; e o Mangueiral, com o espaço de 30 quadras do Plano próximo ao Jardim Botânico. O Park Sul é um caso a parte, um bairro de flats e apartamentos de luxo para aproximar a classe A do Park Shopping.
E qual não é a surpresa de afirmar que foi de Lúcio Costa a ideia inicial de ampliar as asas. Em 1987 o urbanista escreve o texto Brasília Revisitada, onde propõe a construção de dois bairros a oeste, o já instaurado Sudoeste e o Noroeste. Distorcemos as palavras do criador: Nessas "Asas Novas", mesmo quando de configuração diversificada, deve também prevalecer a mesma conotação de cidade parque, vale dizer, pilotis livres, predomínio de verde, gabaritos baixos. Assim, esta expansão futura atenderá às três faixas de renda.

por Ana Cândida Pena

17 de nov. de 2009

Programação Cultural


Diálogos curtos, fragmentos, pensamentos ao vento. O espetáculo pas de deux, em cartaz no Teatro Goldoni, elabora de forma construtiva modelos de relações humanas. A peça – em versão reduzida – foi apresentada no lançamento da sexta edição impressa do jornal O Balde, em setembro, e com ótima aprovação. Desde a atuação natural do elenco, passando por detalhes como trilha sonora, figurino e ritmo envolvente, pas de deux é uma boa sugestão de teatro para os próximos dias. Prestigiem.

Texto e direção: Diego de León
Elenco: Alana Ferrigno, André Rodrigues, Diego de León, Natália Leite e Tati Ramos.
Dias: 19 de novembro a 13 de dezembro
Horário: Quinta, Sexta e Sábado – 21h. Domingo – 20h.
Local: Teatro Goldoni – sala Adolfo Celi (Casa D’Itália – EQS 208/209 – entrada pelo Eixo L)
Preço: a confirmar

15 de nov. de 2009

Fábio Zanini e Roberto Stuckert Filho [O Balde entrevista]



Ministra do STF, Carmem Lúcia flagrada em troca de emails no julgamento do mensalão. (A reportagem ganhou o prêmio Esso de Jornalismo 2007 - Roberto Stuckert Filho/O Globo)

O Balde entrevista essa semana traz uma análise sobre o trabalho do profissional de comunicação a partir das palestras do jornalista Fábio Zanini, da Folha de S. Paulo, e do fotojornalista Roberto Stuckert Filho, do O Globo. Em uma conversa com alunos de jornalismo do Iesb, os dois falaram sobre ética, profissionalismo e um olhar diferenciado que o profisional de comunicação precisa ter para apurar uma notícia. As mais de três horas foram transformadas em três perguntas que O Balde adaptou e respondeu de acordo com o conteúdo das palestras proferidas.

1) Como deve ser a relação fonte-jornalista?

Com a premissa de ser informante, o jornalista deve ser ator da credibilidade. Deve passar a informação por meio de um código mais apropriado para que hajam menos ruídos possíveis, de acordo com teoria do estudioso de comunicação Roman Jakobson. Para tanto, é necessário que o jornalista tenha com sua fonte um distanciamento, que lhe proporcione capacidade de julgar a informação obtida, sem interferência pessoal ou de opinião. Logo, além de ser uma relação profissional, o jornalista deve ter com a fonte um canal seguro e recíproco. Pois segundo o jornalista da “Folha de S.Paulo” Fábio Zanini, “as fontes vão e voltam. A informação, não”.

2) Como o jornalista deve proceder para conseguir uma matéria diferenciada?


Para sair do lugar comum das matérias, o jornalista deve procurar não se contentar com as informações obtidas. Segundo o fotojornalista de “O Globo” Roberto Stuckert Filho, o ordinário, o cotidiano, todos conseguem. O diferencial é o que o jornalista enxerga a partir do trivial. “Sempre penso: aqui tem mais história”, explica. Portanto, além de ter o cuidado essencial com a linguagem, a estética e o objetivo da matéria, o jornalista precisa de persistência e descontentamento. Como dizia o filósofo moderno René Descartes, “duvide da própria dúvida”.


3) Qual deve ser a postura do profissional de imprensa para evitar equívocos/erros ao escrever uma matéria/reportagem?


O profissional de imprensa precisa de um conjunto de habilidades para evitar equívocos ao escrever uma matéria ou reportagem. Entre elas destacam-se o bom domínio da língua e uso preciso dos estilos de linguagem. Tendo isso, o jornalista deve conhecer a fonte, por meio de uma boa pesquisa, e confirmar toda e qualquer informação obtida. Por exemplo, confirmar pontos de vista conflitantes; ouvir mais de uma versão da notícia. Além de reler a matéria, é interessante que uma terceira pessoa analise o texto e dê uma opinião. Ao final do processo, erros ainda são passíveis de acontecerem, mas com o tempo, bem menos freqüentes.


Agradecimentos à professora Renata Giraldi
Adaptação da entrevista: Alexandre Isomura

13 de nov. de 2009

A hora do ônibus [terreno baldio]



Ele desce as escadas e pede um café. Ela que esperava em pé na sala apoiada na mesa que ele terminasse a leitura para poder limpar o banheiro de seu quarto, adia a tarefa e prontamente atende ao pedido. Esperaria um dia inteiro se ele não descesse para pedir o café. Não atrever-se-ia a subir as escadas e questioná-lo.

Ela avisa que o café está pronto. Ele se senta à mesa da cozinha e puxa conversa. Ela trabalha para a família há tanto tempo que sabe de causos que ele, como parte integrante, deveria saber. Calada, porém se incitada à conversa é capaz de falar durante horas sem parar.

Ele bebe o café amargo e apenas a ouve, assenta com a cabeça e sorri dos casos mais engraçados. Até que certo momento, ela solta a frase. “Você é meu patrão. Eu tenho que fazer o que você pedir”. O absurdo anacrônico daquela senhora perto dos 60 chamando o moleque universitário de patrão é como um soco no queixo.

A partir daquele momento, atormentado, não consegue mais achar graça nos causos. O incômodo desígnio que ela lhe concedera tem um peso terrível. Como poderia ele achar que falava de igual para igual. Desejava profundamente não ter pedido para ela fazer o café.

Após meia hora de conversa, ela sem se afetar sobe as escadas e vai limpar o banheiro. Ao terminar, se despede e ruma para a parada. A espera hoje será maior. Seu ônibus já passou...

por Pedro Valadares

9 de nov. de 2009

Programação Cultural



(clique na imagem para ampliá-la)

Mais uma semana. Mais um expediente. E o dia que chove pela janela. Não se esqueça de desemoldurar a chuva.

Música

Festival Internacional de Música de Brasília

O Festival Internacional de Música de Brasília chega a sua quarta edição. Artistas nacionais como Arnaldo Antunes, Luiz Melodia e Móveis Coloniais de Acaju juntam-se a músicos franceses em um ambiente de diversos ritmos e expressões musicais. Confira a programação:

Dia 10/11, às 19h
Spleen + Banda Isca de Polícia
Bertignac + Arnaldo Antunes e Edgard Escandurra
Jeanne Cherhal + Luiz Melodia

Dia 11/11, às 19h
Sandra Nkaké + Ana Cañas
Thierry Stremler + Móveis Coloniais de Acaju

Local: Universidade de Brasília – centro comunitário
Preço: Entrada Franca

Teatro

Café com torradas

Café com torradas aborda um dia aparentemente normal do personagem Fulano. No texto do autor Gero Camilo, Fulano conta como foi seu dia desde que acordou mal humorado com batidas ensandecidas de alguém que lhe importunava, tirando-o da cama. O espetáculo, dirigido por Giselle Rodrigues, é construído a partir de partituras corporais criadas coletivamente pelos atores Guilherme Monteiro, Hugo Amorim e Jhony Gomantos.

Dias: 13 a 22 de novembro (sextas, sábados e domingos)
Horário: Sextas e Sábados – 21h. Domingos – 20h.
Local: Teatro Dulcina – SDS Nº 30/64, Bloco “C”, Ed. FBT
Preço: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)


Exposições

Outsider

A exposição reúne um conjunto de trabalhos inspirados na obra do cantor e compositor norte-americano Bob Dylan, um dos maiores símbolos da cultura contemporânea mundial nos último 50 anos.
Dias: 10 de novembro a 12 de dezembro
Horário: 12h às 20h (de terça a domingo)
Local: Renome - Galeria de Arte & Design SCRN 716, Bloco C, Loja 36. Asa Norte
Preço: Entrada Franca

5 de nov. de 2009

Sim. Devemos discutir a comunicação no Brasil [notícias]

Na última semana de outubro, o Instituto de Ensino Superior de Brasília (Iesb) foi palco do ciclo de palestras O poder da Blogosfera e o jornalismo do século 21, uma discussão sobre como os novos formatos de mídia, como os blogs e comunidades virtuais, coexistem com os tradicionais grupos de comunicação no Brasil. A origem, funcionalidade e perspectivas desses formatos em rede foram os principais tópicos em pauta nas palestras proferidas por jornalistas como Luis Nassif, Rodrigo Vianna e Luiz Carlos Azenha. Com um público formado em sua maioria por estudantes, os cinco comunicadores – ainda compareceram Paulo Henrique Amorim e Marco Weissheimer – falaram de ética jornalística, fraudes e desenvolvimento de um novo jornalismo.

Vi o mundo

Após uma palestra apoteótica de Paulo Henrique Amorim na noite anterior, o jornalista Luiz Carlos Azenha dava início à segunda noite do ciclo de palestras. O público era numericamente inferior, mas a discussão não menos calorosa. Cerca de 350 pessoas acompanharam Azenha contar o que o levou ao jornalismo online e o que motiva o teor crítico de seu blog Viomundo, um dos mais acessados do país em sua área.

Com uma vasta experiência como repórter jornalístico investigativo, o palestrante explica o porquê migrou da televisão para a internet. “No início o blog não era uma crítica à Globo. Acontece que alguns assuntos eram mais assuntos que outros, o que me causou certa estranheza”, começa. Cita um fato em que, enquanto cobria as eleições presidenciais de 2006 entre Geraldo Alckmin e Lula, uma matéria sua foi vetada por conter informações que comprometiam o candidato do PSDB. “Eu tinha um dado que 80% das ambulâncias superfaturadas compradas pelo governo de São Paulo foram adquiridas durante o mandato de José Serra (grande aliado do partido tucano)”, diz. “No lugar dessa matéria, foi veiculada uma nota do irmão do Lula fazendo lobby em Brasília”, completa. Após esse fato, Azenha pediu demissão da Rede Globo e foi para Nova Iorque. “Lá pesquisei sobre equipamentos de computador e pensei em começar um blog”, afirma. Segundo o jornalista, a internet abriu caminhos para se fazer um jornalismo crítico, “sem depender de alguém para dizer o que é notícia ou não”.

Azenha apresenta seu blog e diz que pela estrutura simples, poderia trabalhar sozinho. “Mas tenho duas pessoas na equipe”, confirma. Para ele, só assim é possível publicar textos e vídeos que não se vê usualmente na mídia, e com a rapidez necessária. Com uma fala precisa defende que a blogosfera representa uma ruptura, pois junta um número muito grande de pessoas para discutir um jornalismo crítico. “O poder da blogosfera é furar o bloqueio das grandes empresas. Elas [Abril, Rede Globo, Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo] não trabalham apenas com informação. Elas usam os noticiários para defender interesses econômicos e políticos”, condena.

Conclui dizendo que não basta ter estrutura, tem que ter solidez, conteúdo. “Todos podem produzir conteúdo. As grandes empresas continuam mandando, mas com as ferramentas da internet, há a possibilidade de criar assuntos com relevância jornalística”, enfatiza.


Blog do Luis Nassif

“É significativo voltar aqui depois de tanto depois”, comenta Luis Nassif ao entrar no auditório do campus sul do Iesb [Nassif concedeu palestra na instituição sobre o Dossiê Veja no ano passado]. “Mas agora o cenário é outro”, diz com percepção jornalística. Assim como Luiz Carlos Azenha, profere uma palestra de mais de duas horas a um público significativo para uma noite de muita chuva na capital federal.

E começa: “Os blogs são fator de contensão para os abusos da mídia”. Segundo o jornalista a blogosfera pode enfrentar de igual para igual a mídia tradicional. Com críticas estudadas sobre o comportamento da mídia em relação à noticiabilidade das matérias apresentadas, Nassif lembra de um caso em que a revista Veja publicou uma matéria sobre o Boimate, um suposto cruzamento genético para tornar a carne de boi temperada com o gosto do tomate. Tudo não passou de um grande engano e exemplo de como a notícia é tratada como produto. “O biólogo da USP [entrevistado] disse que se isso fosse possível, seria o maior caso de evolução depois da teoria de Darwin. O repórter, para emplacar a matéria, escreveu que esse era realmente o maior caso de evolução depois de Darwin. Veja só”, ironiza.

Para Nassif, as reportagens hoje são previamente preparadas, não importando qual seja o resultado da apuração. Em sua opinião falta espaço nos jornais para discutir certos assuntos, como indústria rural e notícias do interior do país. “Esse cenário criou uma geração de jornalistas arrogantes. Com um primarismo político”, critica. Segundo ele, os jornalistas não entendem a transformação política e econômica pela qual o Brasil passa, e é nesse momento que a blogosfera surge. “Antes você comentava com seus vizinhos as notícias do dia. Hoje você acessa a internet e discute com milhões de pessoas. “A internet passou a ter uma soma de conhecimento imbatível”, defende. Assim, Nassif acredita que possa nascer um “novo desenho político, com jornalistas mais críticos e mais em cima da notícia”.

E desse modo acreditamos também.
Participantes do ciclo de palestras O poder da blogosfera e o jornalismo no século 21, organizado pelo Iesb e pela Escola Livre de Jornalismo:

Paulo Henrique Amorim – Conversa Afiada
Luiz Carlos Azenha – Viomundo
Luis Nassif – Blog do Luis Nassif
Rodrigo Vianna – Escrevinhador
Marco Weissheimer – RS Urgente

por Alexandre Isomura